Depois de um ano verificando endereços sem glúten um a um, em quatro continentes, nossos dados contam uma geografia inesperada do sem glúten. No momento deste barômetro, a base Nutrixe conta com 3.104 endereços verificados em 16 países — dos quais 89% são estabelecimentos totalmente dedicados, sem nenhuma farinha de trigo na cozinha. Eis o que os números dizem.

Os países mais bem representados na base

Endereços verificados por país (base Nutrixe)
Estados Unidos1131
Itália456
Espanha354
França203
Canadá198
Argentina185
Brasil140
Austrália128
Alemanha90
Polônia70
Reino Unido59
Suíça33
Portugal30
Bélgica18
Irlanda8

As dez cidades campeãs do sem glúten

O ranking das cidades reserva a primeira surpresa: a capital mundial do 100% sem glúten não é nem americana, nem europeia.

Posição Cidade Endereços verificados
1 Buenos Aires 🇦🇷 38
2 São Paulo 🇧🇷 37
3 Barcelona 🇪🇸 · Paris 🇫🇷 32
5 Madri 🇪🇸 · Portland 🇺🇸 28
7 Roma 🇮🇹 23
8 Milão 🇮🇹 21
9 Toronto 🇨🇦 20
10 Londres 🇬🇧 19

Buenos Aires deve sua coroa à lei argentina “Sin TACC”, uma das mais protetoras do mundo; São Paulo a acompanha de perto graças à rotulagem obrigatória brasileira. A América do Sul, raramente citada nos guias de viagem para celíacos, é na verdade um continente pioneiro.

Cinco lições

1. O “dedicado” virou o padrão mundial… exceto na França. 89% dos endereços da base são lugares totalmente sem glúten. Mas a taxa varia muito: 96% na Argentina, 94% no Canadá, 84% na Itália — e apenas 36% na França. Nosso vizinho francês continua sendo o país do “cardápio sem glúten” dentro de uma cozinha mista: o estabelecimento inteiramente dedicado ainda é a exceção por lá, quando em outros lugares é o padrão. É o número mais chocante deste barômetro.

2. As leis fazem os paraísos celíacos. Os três países com o sem glúten mais maduro têm um ponto em comum: uma legislação forte. Rotulagem “Sin TACC” obrigatória na Argentina, indicação “contém glúten” exigida no Brasil, rede de restaurantes fiscalizados pela associação celíaca na Itália. Onde a lei protege, a oferta acompanha.

3. Os Estados Unidos dominam em volume, não em simplicidade. 1.131 endereços verificados — mais de um terço da base — mas sem rede nacional de controle: a qualidade varia de cidade para cidade (Portland na liderança), daí a importância de verificar previamente.

4. O Sul da Europa esmaga o Norte da Europa. Itália (456) e Espanha (354) somam, juntas, mais endereços dedicados do que todo o resto da Europa reunido em nossa base. O estereótipo “país da pizza = inferno para celíacos” morreu há muito tempo.

5. Ainda existem pontos cegos. Nossa base cobre por enquanto apenas 16 países: a Ásia, a África e parte do Leste Europeu ainda precisam ser mapeados — é o trabalho dos próximos barômetros, e você pode contribuir sugerindo endereços.

O método por trás dos números

Este barômetro só conta endereços verificados um a um na fonte: existência do estabelecimento, nível real de “sem glúten” (dedicado, cardápio específico, opções) e riscos eventuais confirmados antes da publicação. É mais lento do que agregar listas prontas, mas cada linha é verdadeira — e é isso que torna essas comparações possíveis.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor país para viajar sendo celíaco?

A Itália continua sendo nossa recomendação número 1 para uma primeira viagem tranquila: triagem em massa, equipes sensibilizadas em todo lugar, rede de restaurantes fiscalizados pela associação celíaca nacional. Argentina e Brasil são as grandes surpresas para quem vai mais longe.

Qual é a cidade com mais restaurantes 100% sem glúten?

Em nossa base verificada: Buenos Aires (38 endereços), à frente de São Paulo (37), Barcelona e Paris (32 cada).

Por que a França está atrás?

Não é o número de endereços (203, 4º lugar), mas sua natureza: apenas 36% são totalmente dedicados, contra 89% na média mundial. A cultura da cozinha mista “com opções” ainda domina — motivo a mais para verificar cada endereço antes de ir.

Esses números vão mudar?

Sim, toda semana: a base cresce continuamente e este barômetro é republicado a cada ano com os números atualizados. A contagem do dia está sempre no mapa.

Números no momento da publicação. A base cresce a cada semana: a contagem exata do dia está sempre no mapa.